Na segunda-feira, 14/2, a comunidade do Colégio Catamarã se uniu em torno da família Maciel para se despedir do nosso querido amigo e pai da escola, Marcelo Henrique Maciel. Foi um grande choque, no domingo de manhã, receber a notícia do falecimento do Marcelo, vítima de um motorista embriagado enquanto fazia ciclismo na Rodovia dos Bandeirantes. A dor foi imensa e, imediatamente, pais, alunos e funcionários se voltaram a dar apoio e assistência à Verônica, viúva, e aos 5 filhos, todos alunos da escola.

Marcelo era especialista em TI (Application Support Senior Manager), trabalhando há 20 anos no Citibank. Uma pessoa alegre, competente, objetiva, positiva e muito generosa no seu trabalho. Uma vez me comentou que recebia muitas vezes a nota máxima nas avaliações anuais, o que acarretava no aumento das suas responsabilidades no banco. Esse fato o preocupava porque o obrigava a tirar tempo que queria dedicar à sua família.

Foi excelente amigo, e teve uma boa coleção deles no colégio. E também fora do colégio, bastando ver que, no dia da sua morte, estava pedalando com um grupo de amigos. Ótimo esportista, foi meu apoio para a promoção do futebol de pais da escola. Marcelo tomou a frente desse evento e coordenou a convocação dos pais a cada terça-feira à noite, quando tínhamos nosso match. Durante a pandemia não foi possível manter os encontros, mas assim que houve uma abertura, em novembro de 2021, Marcelo organizou o reencontro dos boleiros e, como sempre, trouxe o lanche que animava cada noite após o futebol. Um pai me contou que o Marcelo sempre ligava a ele quando demorava um pouco para colocar o nome na lista de confirmados, garantindo que não faltaria ao nosso encontro de futebolistas apaixonados. Ele era uma presença discreta, mas marcante, em tudo que fazia.

Pai de 5 filhos, formou uma linda família com Verônica Dall’Ovo Maciel. A filha mais velha, Priscila, se formou no Ensino Médio no ano passado, e hoje cursa arquitetura no Mackenzie. Os outros filhos – Pedro, Paulo, Víctor e Helena – são alunos nossos e têm presença marcante na escola. Todos ótimos alunos, sempre deram muitas alegrias aos pais. Marcelo foi um pai muito presente, tanto em casa como na escola. Não perdia uma tutoria e assistia a quase todas as palestras de formação de pais. Sempre dizemos na escola que os pais devem ser os protagonistas da educação dos seus filhos, que a escola nunca os substitui, mas os auxilia nessa tarefa intransferível. Pois bem, Marcelo e Verônica encarnavam à perfeição esse papel. Os tutores tinham grande apreço pelo casal, pois a sintonia era total e os grandes beneficiados desse trabalho conjunto tutor/pais foram os filhos.

Como amigo do Marcelo e diretor da escola dos seus filhos, pude conhecê-lo muito de perto. O que sempre me impressionou nele foram as suas virtudes, algumas delas já comentadas acima. Homem de uma fortaleza de caráter a toda prova, chamava a atenção também pela sua coerência de vida. Conseguia, de uma maneira maravilhosa, equilibrar trabalho e família, e notava-se a sua presença forte na família e na vida de cada um dos filhos. Penso que tudo isso se devia à forte espiritualidade do Marcelo, que procurava encarnar a busca da santidade no meio dos deveres cotidianos, conforme aprendeu de São Josemaria Escrivá, Fundador do Opus Dei, instituição da Igreja Católica da qual ele fazia parte.

Vários pais e mães me escreveram essa semana, comentando como ficaram impactados pela união da comunidade escolar em torno da família do Marcelo, para confortá-los e ajudá-los em tudo que fosse necessário. Sei que todos no Catamarã procuramos plantar a sementinha do cuidado de uns pelos outros todos os dias, mas cada vez que uma dificuldade vem à tona, sempre penso que não é algo meramente natural, mas um pouco sobrenatural também, o modo como nos apoiamos. Dessa vez, vejo que aquela união da comunidade escolar tem muito a ver com a qualidade espiritual do Marcelo, da sua luta por amar a Deus todos os dias, por meio do seu trabalho, da sua família e dos seus amigos. Na última segunda-feira, na Missa de corpo presente e no enterro do Marcelo, todos sentimos que o Céu esteve mais perto da terra.

Só uma palavra de agradecimento me vem à cabeça ao pensar em tudo o que vivemos nessa semana. Obrigado Marcelo pela sua passagem por essa terra, por ter feito parte das nossas vidas, por nos deixar palavras e atitudes que nunca se apagarão. E pedimos ao Marcelo que continue nos ajudando e nos inspirando, agora em sua nova morada, o Céu.

Cláudio Rigo

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