Grandeza de Coração no Clube do Livro Catamarã

No último encontro de 2024 do Clube do Livro do Catamarã em parceria com a Editora Quadrante, nossas diretoras Ane Peloso e Camila Farah conversaram com os pais sobre o livro Grandeza de coração, de Dom Rafael Llano Cifuentes (1933-2017), que foi bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e bispo de Nova Friburgo.

A grandeza de coração, ou magnanimidade, é um tema – com o perdão do trocadilho – amplo. O livro consegue, com seu estilo vigoroso e direto ao ponto, trazer suas características principais e, sobretudo, provocar a reflexão. Isso porque, como comentaram no nosso encontro, a “cada duas ou três páginas, ele nos dá uma paulada”, isto é, faz uma colocação que não apenas nos ensina sobre o que a magnanimidade é ou deixa de ser, mas nos leva a perguntar a nós mesmos: “Será que estou sendo magnânimo? Será que estou ajudando meus filhos a terem uma alma grande?”

O encontro durou uma hora e vamos trazer aqui alguns dos seus pontos principais, com destaque para as reflexões sobre como aplicar o que o livro diz à situação de pais e educadores.

 

A grandeza de coração começa na cabeça

Uma alma grande sonha alto. Ela não se limita ao básico ou ao confortável, mas busca ir além, perseguindo ideais elevados e metas ambiciosas. O magnânimo tem sede de algo maior e deseja concretizar esses ideais em ações significativas. Essa visão transcende a mediocridade, cultivando nos filhos a coragem de sonhar grande e agir com propósito.

 

O magnânimo não é medíocre

O ideal mais elevado que alguém pode perseguir é a santidade, que consiste em uma união plena com Deus. O coração magnânimo, movido pelo amor a Deus, amplia sua capacidade de amar tudo aquilo que Deus ama. Essa intensidade de propósito é descrita de forma contundente no livro do Apocalipse: “Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca.” A magnanimidade, portanto, exige intensidade e comprometimento em tudo que se faz – amar profundamente, fazer bem-feito e levar os projetos até o fim.

No contexto da educação, isso significa formar os filhos para serem verdadeiramente bons, não apenas “bonzinhos”. Eles devem aprender a fazer o bem sempre, até mesmo nos pequenos gestos, pois no amor nada é insignificante.

 

A alma grande é humilde

Talvez exista quem ache que a humildade e a magnanimidade não são compatíveis. Afinal, pensam, “é coisa de gente soberba sair por aí atrás de feitos grandiosos. Quem é humildade fica quieto no seu canto, não é?”. Essa confusão é causada por um mau entendimento do que é a humildade. A verdadeira humildade é conhecer a si mesmo: reconhecer falhas e talentos, avaliar com sinceridade as próprias circunstâncias e perspectivas. Só assim podemos preparar-nos para realizar o bem que desejamos.

Os pais desempenham um papel vital ao ajudar os filhos, especialmente os mais velhos, a se descobrirem. Muitas vezes, os pais enxergam os talentos, as necessidades de melhoria e as paixões dos filhos com mais clareza do que eles mesmos. Esse apoio é crucial para fomentar tanto a magnanimidade quanto a humildade.

 

Não existe magnanimidade sem generosidade

Não existe grandeza de coração sem generosidade. Um coração magnânimo é generoso não apenas em ações, mas também em pensamentos e palavras. Generosidade vai além de uma doação ocasional – é, digamos, um estilo de vida, uma entrega constante ao outro.

Um exemplo marcante discutido no encontro foi o de alunos que, no Natal, decidiram doar seus melhores brinquedos para crianças em necessidade. A mãe, inicialmente relutante, precisou conter o impulso de sugerir que doassem brinquedos mais gastos. Esse gesto ilustra a essência da generosidade verdadeira, que implica doar o melhor de si.

 

O coração grande tem espaço para tudo

As pessoas de coração grande têm uma percepção profunda do valor de cada pessoa. Jesus Cristo entregou-se por todos e cada um de nós, e o magnânimo entende isso e não limita o seu amor somente àqueles que pensam igual a si.

Além disso, a magnanimidade é solidária e não abre mão do bem comum. Essa preocupação pelo bem de todos pode se manifestar de muitas maneiras: reservar um dia da agenda para atendimentos gratuitos a quem precisa ou para um trabalho voluntário.

 

A amizade com Deus é indispensável

Como já adiantado, a raiz da verdadeira magnanimidade está na amizade com Deus. É Ele quem amplia nossos horizontes e nos dá forças para melhorar continuamente. Por meio da oração, dos sacramentos e da devoção, essa amizade alimenta e sustenta as almas verdadeiramente grandes. Mesmo quando nossos esforços parecem fracassar aos olhos humanos, é a relação com Deus que dá significado e propósito às nossas ações.

 

O Clube do Livro do Catamarã continuará suas atividades no próximo ano, e todos os pais estão convidados a participar. Juntos, vamos ler mais livros que nos ajudem a melhorar a nós próprios e o nosso relacionamento com os filhos.

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